Sábado, 01 de Agosto de 2009

 

Do poeta espanhol António Machado (de seu nome completo António Cipriano José María y Francisco de Santa Ana Machado Ruiza)transcrevo a versão completa de um dos mais belos poemas da literatura espanhola

 

"Todo pasa y todo queda,
pero lo nuestro es pasar,
pasar haciendo caminos,
caminos sobre el mar.

Nunca persequí la gloria,
ni dejar en la memoria
de los hombres mi canción;
yo amo los mundos sutiles,
ingrávidos y gentiles,
como pompas de jabón.

Me gusta verlos pintarse
de sol y grana, volar
bajo el cielo azul, temblar
súbitamente y quebrarse...

Nunca perseguí la gloria.

Caminante, son tus huellas
el camino y nada más;
caminante, no hay camino,
se hace camino al andar.

Al andar se hace camino
y al volver la vista atrás
se ve la senda que nunca
se ha de volver a pisar.

Caminante no hay camino
sino estelas en la mar...

Hace algún tiempo en ese lugar
donde hoy los bosques se visten de espinos
se oyó la voz de un poeta gritar
"Caminante no hay camino,
se hace camino al andar..."

Golpe a golpe, verso a verso...

Murió el poeta lejos del hogar.
Le cubre el polvo de un país vecino.
Al alejarse le vieron llorar.
"Caminante no hay camino,
se hace camino al andar..."

Golpe a golpe, verso a verso...

Cuando el jilguero no puede cantar.
Cuando el poeta es un peregrino,
cuando de nada nos sirve rezar
.
"Caminante no hay camino,
se hace camino al andar..."

Golpe a golpe, verso a verso.

 

Proverbios y cantares XXIX em Campos de Castilla:

 



publicado por JoseGMestre às 16:46
Sábado, 01 de Agosto de 2009

 

 

 

 

 De José Sobral de Almada Negreiros. figura multifacetada da cultura portuguesa pintor, escritor,  poeta, autorde Orpheu, modernista, futurista e ... tudo como ele próprio se autodefinia publico o seguinte texto que me lembro de ver publicado numa antiga selecta literária, há mais de 40 anos e que agora tive o prazer de reencontrar no livro "Antologia Pessoal da Poesia Portuguesa" do poeta Eugénio de Andrade :

- Edição do Campo das Letras - 7.ª edição -Dezembro de 2002

 

 "Mãe!
   Vem ouvir a minha cabeça contar histórias ricas que ainda não viajei! Traze tinta encarnada para escrever estas coisas! Tinta cor de sangue, sangue verdadeiro, encarnado!
   Mãe! Passa a tua mão pela minha cabeça!
   Eu ainda não fiz viagens e a minha cabeça não se lembra senão de viagens! Eu vou viajar. Tenho sede! Eu prometo saber viajar.

   Quando voltar é para subir os degraus da tua casa, um por um. Eu vou aprender de cor os degraus da nossa casa. Depois venho sentar-me ao teu lado. Tu a coseres e eu a contar-te as minhas viagens, aquelas que eu viajei, tão parecidas com as que não viajei, escritas ambas com as mesmas palavras.

   Mãe! ata as tuas mãos às minhas e dá um nó cego muito apertado! Eu quero ser qualquer coisa da nossa casa. Como a mesa. Eu também quero ter um feitio que sirva exactamente para a nossa casa, como a mesa.

   Mãe! passa a tua mão pela minha cabeça!
   Quando passas a tua mão na minha cabeça é tudo tão verdade!"

 



publicado por JoseGMestre às 16:08
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